A narrativa bíblia a respeito do relato das dez miraculosas pragas enviadas por Deus contra o povo egípcio a fim de resgatar os israelitas da escravidão sofre diversas acusações contra sua historicidade. As primeiras antes mesmo de contestar a existência do sobrenatural, duvidam sobre toda a trama, a estada dos israelietas, data do êxodo e peregrinação posterior no deserto... Através desse trabalho, como dedicado estudante da bíblia e defensor do texto sagrado procurarei mostrar nesse primeiro trabalho as evidências históricas e arqueológicas que podem fundamentar a narrativa base do Êxodo.
I- Evidências da Autoria do Pentateuco
A primeira contestação sobre a historicidade do livro do Gênesis é sobre o autor, arqueólogos seculares duvidam da escrita dos cinco livros da Torá por Moisés, eles ignoram que:
-Por mais de 3500 anos foi consenso entre os estudiosos judeus e o povo comum que Moisés escreveu o Pentateuco.
- Escritores pagãos- Ticitus, Juvenal, Strabo, Longinus, Porfírio, Juliano... concordam que Moisés escreveu o Pentateuco.
- Líderes religiosos como Maomé o atribuem a Moisés.
- O pentateuco ter sido escrito por um hebreu que falava a língua hebraica e apreciava os sentimentos dessa nação.
- Esse mesmo hebreu estava familiarizado com a língua e os costumes do Egito e da Arábia.
- Os ensinos e a religiosidade egípcia foram ocultados dos estrangeiros, somente um membro na família real tinha acesso a eles.
- A luz da descoberta do código de Hamurábi sabemos que a escrita já estava avançada o suficiente na época para uma coleção de livros como o Pentateuco.
II- Evidências da historicidade dos Patriarcas
A crítica a narrativa patriarcal do qual depende toda a história dos hebreus no Egito sofre acusações de ser mitológica devido a crença entre estudiosos seculares de que a única informação da qual pode ser obtida alguma cronologia referente a ela é a de que as histórias foram contadas pela primeira vez cerca de IX e VII A.C.
Porém há uma dificuldade tremenda em encontrar explicação adequada para sua origem visto que as condições da narrativa não correspondem a qualquer parte da Palestina no período entre 1200 e 900 A.C..
Apesar de por muito tempo a pesquisa arqueológica não ter produzido referência aos patriarcas propriamente dita, as descobertas dos costumes da época oferecem um pano de fundo histórico ao livro de Gênesis:
- Na cidade de Nuzu, sítio escavado entre 1925 e 1941, os conjugês que não tinham filhos frequentemente adotavam servos para que tomassem conta deles quando eles ficavam mais velhos e os sepultassem e passassem a cuidar de suas propriedades, como descrito em Gênesis capítulo 15 quando Abraao se refere a Eliezer.
- Em uma tábua descoberta do mesmo período é descrita uma relação muito parecida com a de Labão e Jacó onde um homem adota outro como seu filho dando-lhe sua filha como esposa e fazendo-o tanto ele quanto a seus filhos, seus herdeiros
- No tempo da narrativa patriarcal, era vergonhoso e humilhante para qualquer mulher não poder gerar filhos. Nessa circunstância as leis matrimoniais determinavam que se uma esposa fosse estéril deveria providenciar uma esposa escrava para seu marido.
- Em Nuzu esse filho entre o senhor e a escrava tinha direitos muito parecidos com os de filhos legítimos, algum tempo após Sara ter dado a luz a Isaque ela exige que Ismael, filho de Abraão e da escrava egípcia Agar, seja expulso, contrariando a lei da época, o que a explica a relutância de Abraão em consentir com isso.
- Há relatos nas tábuas de Nuzu que ilustram o costume peculiar da época da venda da primogenitura, onde tanto irmãos legítimos ou não podiam comprar os direitos do primogênito numa transação legal.
- Quando Jacó foge com sua família das terras de Labão, sua esposa Raquel rouba os ídolos do lar de seu pai. Provavelmente influenciada pelo desejo de assegurar a seu marido o direito da propriedade do pai, a posse de deuses familiares indicava liderança na família.
- Todos os costumes legais relatados até aqui não se repetem na bíblia em nenhuma outra parte, porque a sequência bíblica do antigo testamento é contínua e se refere a períodos posteriores.
- Eliezer jurou com a mão "atrás da coxa de Abraão". Para os povos pagãos assimilar o judaísmo tal qual conhecemos hoje é algo escandaloso, pois é o primeiro povo a enaltecer a condição humana como imagem de Deus. Para os pagãos o que foi mais difícil foi imaginar um Deus poderoso como o que foi narrado, metendo as mãos no barro, tal como um operário o faz e esculpindo o homem com elas. Na narrativa assírio babilônica e grega o homem surge como um acidente ou algo indesejado. O judeu tinha uma visão completamente diferente a respeito de seu corpo, via o corpo como algo sagrado e separado para Deus.
- Numa antiga cidade conhecida hoje como Tel Hariri foram descobertas inúmeras tábuas que representam correspôndencia diplomática o último rei Zimri-Lim e os embaixadores de Hamurábi. Nessas correspondências é comum a utilização do termo Habiru em paralelo ao termo Ibri, ou hebreu como foi chamado o primeiro patriarca. O termo hebreu significa o que atravessa, Abraão atravessou o rio Eufrates atendendo o chamado de Deus de sair da casa dos seus parentes. Assim como a referência a Banu-Iamina, benjamitas.
- O nome Abraão foi encontrado sobre diferentes formas na Mesopotâmia na época; Abaamrama, Abarama, Abaamraam.
III- Evidências da Estada de Israel no Egito.
O relato bíblico de Gênesis mostra que devido a fome os irmãos de José desceram ao Egito para comprar comida, as evidências que corroboram para esse período bíblico são:
-O primeiro paralelo arqueológico é a representação em forma de escultura de um grupo de imigrantes semíticos ocidentais no Egito Médio cerca de 1900 A.C.. Essa escultura estava num túmulo de um oficial egípcio de Senuosret II, chamado em Beni Hasã de Cnumhotepe.
- Como consequência da estada por longo período no Egito a tribo dos levitas registra a maior incidência de nomes autenticamente egípcios: Moisés, Assir, Passur, Finéias, Merari e Putiel.
- O escritor do Gênesis emprega termos egípcios e faz sua transliteração para o hebraico dos títulos de "copeiro-chefe" e "padeiro-chefe" na história de José pois esses títulos não existiam na língua hebraica.
- Ainda na história de José ele é colocado como "mordomo" da casa de Potifar, uma posição existente nas casa da nobreza egípcia. Pelo Faraó José ganhou um cargo na administração do reino que corresponde exatamente ao vizir do Egito, e outro que era o de "superintendente de celeiros", além de todo o ritual de passagem ser o mesmo encontrado pelos estudos da egiptologia, como a entrega do anel para José e a passeata no carro do Faraó.
- Os sonhos eram considerados muito importantes para os egípcios, tal qual a história do sonho do Faraó.
- Os monumentos indicam que os magos desempenhavam importante papel no negócios do Egito, como no capítulo 41 de Gênesis.
- A vida de José de 110 anos corresponde a expectativa média de uma vida feliz e próspera no Egito antigo.
- A mumificação de Jacó e José estava de acordo com o costume egípcio.
- A família de Jacó resolveu assentar na terra de Gosen, região em torno do Vale Tumilate, uma das partes mais ricas do Egito.
-Em incrições egípcias sabemos era costume dos oficiais de fronteira deixarem pessoas da Palestina e do Sinai entrarem nessa parte do Egito em períodos de seca.
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