terça-feira, 1 de novembro de 2011

As Dez Pragas do Egito- Parte 5.1

VII- Evidências da travessia do Mar.

    Nem a figura de Moisés, o grande legislador no povo hebreu, ofusca a história de Abraão no velho testamento em importância para o povo judeu. A figura de Abraão é de suma importância para entender toda a narrativa bíblica da história antiga dos hebreus.
    A história de Abraão começa com ele sendo chamado por Deus de Harã, Mesopotâmia, em caminho para a Palestina. Segundo a cronologia bíblica isso se deu 645 anos antes que os israelitas deixassem o Egito. Esse cálculo considera o período patriarcal de 215 anos mais a jornada no Egito.
    De acordo com Gênesis 12:4 Abraão tinha setenta e cinco anos quando deixou Harã e quando Isaque nasceu tinha Abraão cem anos. Isaque tinha sessenta anos quando Jacó nasceu e Jacó tinha cento e trinta anos quando apareceu ao Faraó do Egito. Somasse então no período na palestina 25 anos de Abraão, 60 anos de Isaque e 130 de Jacó.
    De acordo com o texto massorético de Êxodo o período integral da jornada de Israel no Egito foi de 430 anos:

O tempo que os filhos de Israel habitaram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos.

E aconteceu que, passados os quatrocentos e trinta anos, naquele mesmo dia, todos os exércitos do SENHOR saíram da terra do Egito.


Êxodo 12:40-41


    A soma também concorda com o texto de 1Reis:

E sucedeu que no ano de quatrocentos e oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito, no ano quarto do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de Zive (este é o mês segundo), começou a edificar a casa do SENHOR.

1 Reis 6:1

    Esse trecho de 1Reis  localiza o Êxodo 480 anos antes do quarto reinado do reino de Salomão cerca de 961 A.C. dando a data do Êxodo conforme já estabelecido 1441 A.C. Somando-se 645 a 1441 temos a data de 2086 A.C., como ele nasceu 75 anos antes temos 2161 A.C. colocando Abraão na época do novo império de Ur- Namu fundador da dinastia de Ur (2135-2025 A.C). 
    A época que Abraão deixou a casa da sua família o zigurate de Ur estava sendo construído, No mundo antigo esses monumentos tinham uma função a mais que sustentar o ego dos seus líderes políticos, tinham uma importante função religiosa. Eles eram erigidos em forma de templos onde os deuses desciam de vez em quando para receber as ofertas sacrificiais. Era um monte artificial, antes dessa época eles adoravam os seus deuses no cume das montanhas, para imitar as montanhas plantavam nos seus degraus árvores e arbustos. Esse zigurate posteriormente teve sua obra continuada por Nabonidu da Babilônia na época de Daniel. Foi chamado de "olteiro do céu" e "montanha de deus" porque foi dedicado ao deus lua Nanar, que era governante supremo da cidade, razão pela qual Deus resolveu separar Abraão, patriarca de toda a linhagem da terra dos seus parentes.
    O texto bíblico faz referência explícita a essa época quando diz que Abraão saiu de "Ur dos caldeus", o adjetivo "dos caldeus" era para explicar uma geração subsequente. Ur havia desaparecido completamente e após 1000 anos de ocupação caldaica o império Neo-Babilônico foi erguido.
    Na terra de Ur nenhuma evidência pode ser encontrada da estada de Abraão, já que lá ele era só mais um habitante, situação diferente de Harã que foi para onde ele migrou.

- Os nomes dos parentes de Abraão correspondem aos nomes das cidades próximas a Harã aonde o patriarca migrou. Tel-Naquiri, o outeiro de Naor, segundo os registros assírios foi fundada no Vale Balique abaixo de Harã, essa era a cidade de Rebecca. Serugue, antepassado de Abraão, tem uma cidade com o seu nome, Sarugui, assim como Terá, Til-Turaqui, ou outeiro de Terá, assim também acontece com Padã-arã, campo ou planície de Arã, para onde  Jacó fugiu de Esaú posteriormente,  e Pelegue, Paliga, cidade às margens do Eufrates.

- A região da Palestina era pouco povoada, a maior parte das pessoas pertenciam a mesma família dos hebreus, embora crescendo geograficamente na mesma região, suas culturas em paralelo se distinguiam drasticamente. No período que corresponde a Idade do Bronze Média havia bastante espaço nos montes para que os patriarcas vagassem, situação que se dificulta se considerar-mos as datas que os críticos do antigo testamento atribuem ao período patriarcal.

- Cerâmicas encontradas pertos de cemitérios longe das outras cidades que datam da Idade do Bronze na Palestina indicam que uma populção sedentária tenha ocupado aquelas montanhas. Uma dificuldade que os críticos da bíblia encontram é que o clima da região não comportasse condições para a família de Abraão, porém o clima no Oriente Médio é instável, além disso as condições registradas são de semi-nômades, já que não havia terra arável nas montanhas densamente arborizadas eles poderiam se abrigar numa colina baixa, com pastos e vales próximos que por lá havia.

- As cidades da época patriarcal que tem direta relação com a história já foram descobertas em uma série de escavações: Mispá, Siquém, Betel, Dotã, Gerar, Jerusalém (Salém) além das ficavam no Vale do Sidim. O Vale do Sidim por volta da metade do século XXI antes de Cristo foi submetido a uma grande conflagração. A região mencionada na bíblia cheia de "poços de betume" ainda tem depósitos de petróleo e sal e está frequentemente sujeita a terremotos o que pode os ter misturado causando violenta explosão. Um desastre natural assim pode ter feito erguer aos céus uma nuvem de fogo e enxofre que quando caiu exterminou por completo os moradores em casas arcaicas da região, que ficavam em Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar.

- A coalisão dos quatros reis mesopotâmicos e sua derrota por Abraão teve por muito tempo caráter legendário ou mitológico dos opositores da bíblia porém em escavações na cidade de Haurã ( Basã), Astarote e Carnaim, ficou claro que elas foram invadidas nesse remoto período. Além disso a presença de outeiros no caminho descrito da marcha dos reis através de Gileade e Moabe confirma a veracidade da história, fora o interesse natural que esses poderiam alimentar pelo manganês e cobre de Edom e Midiãe asfalto do mar morto.
 
     Diante das evidências mostradas da peregrinação do patriarca saindo de Ur e cruzando o rio Eufrates fica claro porque ele e o povo que dele se origina se chamavam hebreus, os que atravessam, assim como Abraão saiu da terra idólatra de Ur, os hebreus, fugiram dos deuses pagãos do Egito passando pela água, protótipos do batismo por imersão.

   
O tempo que os filhos de Israel habitaram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos.

E aconteceu que, passados os quatrocentos e trinta anos, naquele mesmo dia, todos os exércitos do SENHOR saíram da terra do Egito.
Êxodo 12:40-41

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